Corpos orgânicos com as máquinas!

O Ballet idealizado por Oskar Schlemmer, do primeiro time de professores da Bauhaus mostra a característa e vocação do artista de vanguarda do início do Século 20: artista multidisciplinar, artista plástico (pintor), designer gráfico, idealizador de projetos (como este Ballet)!

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O hibridismo presente, as idéias de nos mostrar como máquinas, ou imaginá-las com vida orgânica, a busca de um novo humano em um contexto histórico de violência, nos conflitos de território, conflitos entre culturas, e conflitos de classes: guerras econômicas, e as necessidades de mudanças na qualidade de vida dos trabalhadores que sustentavam os pilares de um “progresso” da era industrial.

Tempos também de uma ciência em conflito quando os paradigmas iniciais de simplicidade passam a se contradizer com os novos paradigmas da complexidade após avanços e descobertas no campo da Física…

Este é um momento de um caldeirão efervecente, onde os futuristas não concordam entre si. Enquanto os italianos demonstram machismo e facismo no seu manifesto, os russos constroem utopias, que posteriormente serão massacradas por guerras internas de controles políticos.

Os artistas utópicos russos, considerados anarquistas por resistirem ao extremo controle do Estado, fogem para a Alemanha, onde serão também admitidos na Bauhaus, como alunos e professores.

Artistas em busca de uma nova arte, são a vanguarda de novas idéias para o campo da estética, onde a arte deve ser reproduzida e chegar a um grande número de pessoas. A arte deve abandonar seus antigos métodos e crenças.

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A arte deve abandonar-se para buscar novos rumos. A arte técnica com idéias de um novo mundo passa a ser conhecida como Design.

O professor, artista, bailarino, pesquisador, diretor, criador, desenhista, pintor, costureiro, artesão, cientista, inventor, pode ter um único nome: designer.

Mas esse hibridismo mágico, esse trans-tudo seria uma utopia viva enquanto independente de um sistema de capitalismo opressor, o mesmo sustentado pelas idéias de estética construídas pelo pensamento Iluminista.

Em verdade, sabemos que, entre perdas e danos, os russos que pensavam diferente foram soterrados ou obrigados em regime de prisão (Leon Theremin…) a servir ao sistema, escolas como a Bauhaus foram fechadas pelo Nazismo, e as idéias futuristas, construtivistas e os demais conceitos construídos pelo novo campo do Design existiram e cresceram dentro de um compromisso de servir a um sistema alimentado pelo modo de violência entre os relacionamentos, métodos de exclusão e preconceitos.

Para a arte e todas as nuanças que ela envolve, ficou um devir de mudança suprimido pelas regras de mercado, sendo a sua contestação mera mercadoria, sempre útil quando apropriada, seus idealizadores coptados dentro de jogos de poder que esvaziam de significado suas contestações no plano da estética.

O que este Ballet pode nos dizer, quer nos dizer? Muitas coisas, mas ainda muito tempo depois, há poucos elementos para avaliar criticamente este movimento que se dedicou a pensar novos modos de ser e de estar no mundo, como resposta a rupturas no modo de ser e de estar dos humanos no mundo nos séculos anteriores, sob o efeito da Revolução Industrial…

Pressebild der Stiftung Bauhaus Dessau zur Ausstellung "Mensch Raum Maschine. Bühnenexperimente am Bauhaus" Bei Veröffentlichung geben Sie bitte den Bildnachweis wie oben aufgeführt an und beachten Sie bitte, dass die Verwendung der Fotos nur zur einmaligen Verwendung im Zusammenhang mit der Berichterstattung gestattet ist. Um ein Belegexemplar wird gebeten. Stiftung Bauhaus Dessau Gropiusallee 38 06846 Dessau-Roßlau Tel. +49-(0)340-6508-250 Fax +49-(0)340-6508-226 www.bauhaus-dessau.de E-Mail: service@bauhaus-dessau.de

Pressebild der Stiftung Bauhaus Dessau zur Ausstellung “Mensch Raum Maschine. Bühnenexperimente am Bauhaus”

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E, para complicar ainda mais a complexidade de todas as coisas nas nossas relações com novas e constantes mudanças, invenções, criações, os assuntos mal-resolvidos da história, de processos que foram interrompidos em função das guerras, tudo continuou mudando, cada vez mais rápido.

Novos problemas foram se sobrepondo, exigindo mais e maiores compreensões. Os riscos são sempre os de cair nos maniqueísmos, nas resistências a mudanças, nas simplificações das teorias e dos fatos, nas conclusões precipitadas.

Nesse turbilhão, a única ciência possível é a arte. A arte total, completa, a arte una, da unidade do conhecimento, a arte sem rótulos e sem diplomas.

A arte que pode fazer o músico, o pintor, o cientista. A arte do não-artista. O design e o designer conscientes, deixam sua “carteira profissional” no bolso, para tudo que as requer, sabendo que, em verdade, e no fundo, ele existe abstratamente, como um projeto que pode acontecer, uma utopia constante do momento presente, desapegada da idéia de futuro.

 

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