Latest Entries »

Mar Absoluto

marvermelho

Foi desde sempre o mar,
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído
pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,
tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.

E tenho de procurar meus tios remotos afogados.
Tenho de levar-lhes redes de rezas,
campos convertidos em velas,
barcas sobrenaturais
com peixes mensageiros
e cantos náuticos.

E fico tonta.
acordada de repente nas praias tumultuosas.
E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.
“Para adiante! Pelo mar largo!
Livrando o corpo da lição da areia!
Ao mar! – Disciplina humana para a empresa da vida!”
Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.
A solidez da terra, monótona,
parece-nos fraca ilusão.
Queremos a ilusão grande do mar,
multiplicada em suas malhas de perigo.

Queremos a sua solidão robusta,
uma solidão para todos os lados,
uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo,
e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.

O alento heróico do mar tem seu pólo secreto,
que os homens sentem, seduzidos e medrosos.

O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e arremetendo com bravura contra ninguém,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.

Não precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança.

Tem um reino de metamorfose, para experiência:
seu corpo é o seu próprio jogo,
e sua eternidade lúdica
não apenas gratuita: mas perfeita.

Baralha seus altos contrastes:
cavalo, épico, anêmona suave,
entrega-se todos, despreza ritmo
jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado,
cego, nu, dono apenas de si,
da sua terminante grandeza despojada.

Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões:
água de todas as possibilidades,
mas sem fraqueza nenhuma.

E assim como água fala-me.
Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,
e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.

Não me chama para que siga por cima dele,
nem por dentro de si:
mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.
Não me quer arrastar como meus tios outrora,
nem lentamente conduzida.
como meus avós, de serenos olhos certeiros.

Aceita-me apenas convertida em sua natureza:
plástica, fluida, disponível,
igual a ele, em constante solilóquio,
sem exigências de princípio e fim,
desprendida de terra e céu.

E eu, que viera cautelosa,
por procurar gente passada,
suspeito que me enganei,
que há outras ordens, que não foram ouvidas;
que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos,
e o mar a que me mandam não é apenas este mar.

Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,
mas outro, que se parece com ele
como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.
E entre água e estrela estudo a solidão.

E recordo minha herança de cordas e âncoras,
e encontro tudo sobre-humano.
E este mar visível levanta para mim
uma face espantosa.

E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.
E é logo uma pequena concha fervilhante,
nódoa líquida e instável,
célula azul sumindo-se
no reino de um outro mar:
ah! do Mar Absoluto.

(poema Cecília Meireles, pintura em aquarela Elen Nas)

Perguntas e Respostas

ofluminense15ago2014

Abaixo, série de perguntas enviadas pela jornalista Suzana Moura, do Fluminense, com as minhas respostas. Acima, a adaptação para matéria, por Marina Assumpção.

Fale um pouco sobre a exposição.

A exposição “Lirismo na Rua” é um reflexo da intervenção artística urbana que leva o mesmo nome. Cantar ópera na rua é como sair por aí recitando poesias em voz alta, muito alta, aliás, rs. A melodia é o condutor que “apara as arestas” de uma atitude que, sem ela, poderia soar até mesmo agressiva, “destemperada”. Não têm o “cravo bem temperado”? Pois bem, este é o “lirismo bem temperado”!
Num primeiro momento resolvi fazer uma saia de partituras para compor o personagem solto na cidade. Isto era ainda um “escudo de proteção” para se lançar num território de experimentação das acústicas dos locais, deixando claro que estava ali para isso mesmo. Com o êxito desta ação, pensei em outras experimentações em que não ficasse mais tão claro que era ali uma artista, propositalmente, em ação, mas uma pessoa comum, que gosta, e sabe, cantar óperas, e resolve cantarolar num supermercado, ou qualquer outro lugar, como se não se desse conta de que está se exaltando. Por que as óperas são canções exaltadas! O sentido delas é a exaltação, é expressar em alto e bom tom o que você está pensando, os seus sentimentos!
Pois bem, com o manuseio das partituras para composição da saia, pensei também em um outro tipo de ação, mais silenciosa, e com maior durabilidade do que o momento efêmero da performance: montei alguns pequenos painéis compostos com partituras, em forma de “quebra cabeças”, em que o desenho se mostrava apenas na composição geral, quando estava colado as paredes. Esta foi outra etapa de experimentação, pois utilizei partituras originais, e depois vi também que não era legal distribuí-las por aí, para depois de algumas semanas serem rasgadas, retiradas dos seus locais.
Então, fazer uma exposição sobre a performance, e ainda uma performance que envolve a sensação auditiva e não apenas visual, toma uma forma bem mais complexa. Pra começar, a performance para esta exposição aconteceu em um lugar público, um shopping de Niterói. Registramos com vídeo, mas só mesmo quem estava ali, naquele momento, pode ter a dimensão do ato. A surpresa, o inusitado, possui uma série de estímulos cognitivos, e isto não se repete em outro momento, nem para quem irá assistir um registro do ocorrido. Assim, este é um trabalho que acontece e se encerra naqueles minutos de sua execução. Retratar isto é apenas registrar, mais nada.
A exposição é um reflexo deste trabalho e, veja bem, se as pessoas fossem convidadas para ir a galeria me ouvir cantar, fazer esta performance ao vivo lá, independente do talento e da voz da cantora, e de uma reverberação curiosa do espaço com paredes de vidro, seria em parte um espetáculo musical que careceria de alguns elementos importantes para a boa execução de um espetáculo musical, e o objetivo, neste caso, não é fazer você ir a um determinado espaço específico me ouvir cantar, mas que você seja surpreendido com alguém cantando ao seu lado.
Creio que, se eu fosse uma artista exclusivamente dedicada as expressões do corpo, imaginaria uma outra maneira de moldar este formato de exposição sobre a performance. No entanto, a composição sonora eletrônica me conduziu ao território de pesquisa e experimentação com as novas tecnologias, então, eu processei o som desta performance pública, picotei, e, separei , de modo que estes sons irão aparecer aleatoriamente com estímulos sensoriais. “Estímulos sensoriais” parece algo bem excitante, rs, mas é bem técnico também. Sensores bem simples que captam a presença, uma vez ‘acionados’ irão acessar estes trechos sonoros, de maneira aleatória. Esta interatividade e a escolha randomica dos arquivos fará também que cada momento, dentro da galeria, seja único. Os sons poderão se complementar, poderão se atropelar, poderão se repetir ou se confundir. Nunca um momento será igual ao outro, do mesmo modo que nunca uma performance será igual a outra.

Como você pretende mostrar a imagem urbana?

Primeiro, a imagem urbana presente no som, no caso desta performance que foi dentro de um “shopping center”, é de muitas vozes, ruídos dos equipamentos, dos passos, das conversas, dos pratos e xícaras de um café. Se fosse na rua mesmo, teríamos ainda os diversos motores de carros, ônibus, motocicletas, e talvez, junto com tudo isto ainda, pássaros, gritos, sirenes…
Um outro lado da adaptação desta exposição, de acordo com o espaço e características da galeria do Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, são os painéis feitos com partituras. Em outros momentos eu desenhava figuras quase que extra-terrenas, mas neste momento senti também necessidade de, mesmo com o meu lirismo, me somar a outras figuras urbanas que fazem a performance da contestação, tendo em comum os questionamentos quanto a apropriação dos corpos pelos preceitos morais. As formas de controle e repressão, principalmente sobre as mulheres. Então essas figuras são apenas lembranças de heróis/heroínas urbanas, fictícias e reais.
Os rabiscos sobre as partituras antigas, nos lembra que tudo é expressão, exaltação da alma humana, dos nossos anseios e da nossa capacidade de fazer, construir histórias, criar reflexões.

Como surgiu a ideia de fazer essa retratação?

A paisagem sonora urbana é algo natural, e recorrente nas obras de arte sonora. E a arte sonora se desenvolve ainda na complexidade de recursos técnicos para ampliar o sentido auditivo, aguçar as percepções. No caso desta exposição, vamos compactar o som em estéreo para simplificar a parte técnica.
De todo modo, ainda sobre a pergunta, as caracteristas específicas desta galeria apresentou outros desafios. Em uma galeria fechada com paredes de concreto, possivelmente focaria a parte visual na expansão do vídeo da performance para as paredes do local, e poderia fazer apenas um pequeno painel, como referência ao trabalho anterior, numa parede de entrada, por exemplo.
Como não temos paredes, mas vidro, transparência, os painéis ganharam um sentido mais presente, então eu comecei a pensar se eles estariam ali apenas como partituras, de forma decorativa, ou se eles ainda iriam trazer algum recado.
Neste recado eu pensei que, do mesmo modo que as óperas possuem personagens heróicos, heroínas que vivem milhares de infortúnios, seria legal então pensar nos novos heróis urbanos, os heróis do século 21, além de uma e outra referência fictícia do século 20 que, sem dúvida, remonta também as figuras heróicas da antiguidade, deuses e semi-deuses do olimpo.

Como você acha que as pessoas enxergam seu trabalho?

A arte contemporânea é, cada vez mais, difusa e confusa. Tanto para o público, quanto para os artistas. Em muitos casos, o que está em questão não é a qualidade de uma obra, ou seja, suas bases, técnicas, pesquisa, processo e autenticidade da linguagem do artista, mas sim, a demarcação de um território, tramas de poder, enfim, um “jogo de xadrez”. Somado a isto, sabe aquele clichê do “menos é mais”? Pode ser legal no design e tal, mas cair no jogo da padronização de conceitos estéticos, é perigoso, é cartesiano, industrial… Tive que introduzir a resposta assim, por que eu sinto que, embora muitas das obras que nos tocam sejam um relicário de memórias, sensações e desejos, existe uma resistência em relaxar e entender as narrativas múltiplas. E a resistência não é do público. O público que quer apreciar a arte se dispõe a participar, apreciar, ouvir, absorver, e até entender, se for necessário. Mas obras que envolvem performance são acontecimentos espetaculares. A disponibilidade do corpo em meio ao público causa reações muito íntimas aos que estão em volta. No caso do meu trabalho, a performance operística causa admiração, na maior parte das vezes, algo, de certa forma oposto ao “body art” que, embora mais consolidado no território da arte contemporânea, costuma causar reações adversas no público. Todo trabalho de performance é um desafio as regras existentes, e em todos existem repetições, modismos, tendências, etc. Então, eu não sei exatamente como o público vê o meu trabalho, gostaria de saber por que sou curiosa e antropóloga 24h ao dia. Sei que o lirismo pode ser enfadonho para uns, mas possui uma riqueza cultural sempre bem-vinda, e pode ser surpreendente. Eu moldo a minha revolta sobre a brutalidade das relações humanas e sociais com lirismo, por que sem ele eu falaria só um “palavrão” e isto não seria suficiente, então é um beco sem saída cheio de monstros e muita agressão. Imagine se você, ao invés de xingar alguém, resolve virar as costas e cantar bem alto uma canção, que fala de amor, fala de ingratidão, fala de traição, fala de espera, fala do impossível, do risível, de tudo que nos assombra?
Sinto que, ao cantar em público, ‘a capella’, desafio as pessoas a cantarem também, por que elas me vêem entre elas, entre todos os barulhos, entre os seus afazeres. Diversas vezes que eu cantei assim, ouvi um “lara-ri-ra-rá” de réplicas. As vezes parece deboche, mas isto pouco importa. É um desafio a expressão, a um dom precioso e esta possibilidade divina de se comunicar com o som que você produz no seu próprio corpo.
Indiretamente há também um manifesto relacionado a música, ao lugar do talento dentro de um mercado padronizante, e por aí vai.
Também senti como “reações adversas” do público que passava quando cantava na rua, de que eu não deveria estar ali, deveria cantar num lugar apropriado, num grande teatro. Essa relação de apego ao contexto ideal também fez algumas pessoas chorarem, e eu também chorei ao ver que podia, no meio de tudo isso, inspirar uma insatisfação sobre as injustiças nestas “ditaduras de mercado”.
Então, a arte é um elemento catalizador. Você sabe que o mundo é cheio de injustiças, mas se algo mais sutil te desperta pra isto, você vai se livrar um pouco da aceitação das brutalidades. São elementos simbólicos bastante enriquecedores do desenvolvimento processual na nossa cultura.

Em que ou quem você se inspirou para montar a exposição?

Bom, inicialmente eu propuz uma performance e pensei entregar o registro em vídeo para uma montagem que reunisse outras obras, outros artistas. Recebi a notícia de que a minha proposta iria ser também a ocupação da Galeria do Centro Cultural Paschoal Carlos Magno.
Foi então, esta grata surpresa, que me fez pensar para além do ato performatico, uma maneira de traduzir a experiência, conceito e proposta do meu trabalho, num projeto de ocupação.
Deste modo, esta é a primeira exposição do “Lirismo na Rua” que, por ser inédita, reúne uma série de improvisos e esforços de traduzir a obra com recursos que estejam a mão, reutilização de materiais, e apoio de alguns colegas.
E, por incrível que pareça, algumas limitações se tornam força motriz para se pensar nas soluções mais criativas. Então eu falei de muitos territórios conflitantes: o talento e a oportunidade, o mérito e o “QI”, a música e o mercado, a arte e a hermenêutica, linguagem/experimentação e preceitos morais, e por aí vai.
Lembrei também de alguns ícones, desde a “mulher maravilha” e seus “superpoderes”, até as polêmicas recentes de “xereca’s satanik”, manifestantes “black block”, nudez em todos os campos como os no movimento pró-ciclismo a nível local (“massa crítica”), e mundial, e as primeiras prisioneiras acusadas de vandalismo, que não vandalizaram nada dentro de uma igreja russa, mas filmaram uma performance pedindo a “Ave Maria” que um determinado candidato não seja eleito…as “pussy riots”, que traduzindo seria algo como “bucetas em motim”. Veja bem, é tudo lírico, tudo extraordinário. Tudo que quer chocar é arrebatador, assim como toda resistência da moral transforma o simples e natural, em todo tipo de interpretação neurótica. Por exemplo, se um “topless” na praia fosse ignorado, respeitado como uma vontade e bem estar daquela pessoa que está fazendo, jamais se tornaria um foco de atenção para mídias e interpretações de toda classe (“o que aquela mulher quer?”, “aparecer, por que é atriz”, “tá fim de arrumar um homem”, “incomodar o namorado”, etc.).
Me inspira a possibilidade de agregar elementos para reflexões mais amplas. E, posso dizer que, na arte sonora venho trabalhando com esta percepção auditiva em múltiplos canais. Certa vez, gravei vozes das pessoas para elas acessarem em uns dispositivos interativos. O objetivo era fazer elas procurarem suas vozes, enlaçadas em outros sons e vozes, em cada trecho sonoro.
É um exercício de expansão mental, um exercício de observar elementos diversos em paralelo, sem a pressa de conclusões imediatas. Este é também um processo de desaceleração. Criamos máquinas como ferramentas de expansão, se resumimos elas em ferramentas de controle, nos tornamos parte deste controle, passando a nos comportar como máquinas.
A escravização do humano a maquina, é, a esta altura, algo tão primitivo, que, se ainda não foi superada para um outro patamar, precisamos da compreensão sobre o desapego.
A propósito, foi preciso desapegar de livros de partituras, alguns com mais de 60 anos, que viviam fechados, amarelados e escondidos. Uma memória ultrapassada, esquecida, relegada a guetos capazes de ler aqueles símbolos.
Então este é o enredo: mar denso.
Se você me pergunta o que me inspira, resposta única e simples: o que me inspira é o mar.

interAtividade

antes_overture

Certamente as novas tecnologias possuem meios de tornar as obras interativas surpreendentes. Mas onde tudo realmente começa, senão na imaginação?  Uma pintura, ou escultura, pode ter iniciado com seus desafios mais realistas, até que tal esforço não fazia mais sentido. Então, a obra de arte, passou a desafiar o seu olhar, com impressionismos, expressionismos, surrealismos e abstrações de experiências técnicas, matemáticas, científicas, e, por que não dizer, igualmente metafísicas.

Eu me desafio: eu te desafio.

Meu caminho é abismo que já perdi o chão: vou tecer uma tela no alto, bem alto, pra você caminhar, e sentir um pouco o que sinto!

Eu cresci na dúvida, e veja quantas coisas belas eu vejo e faço! Quem sabe então, eu compartilhe com você um momento que você veja a sua sombra, e aprenda a dançar com ela!

Vejo cidades orgânicas, quero fazer um pedaço delas para que possamos experimentar viver num mundo assim, mesmo por um pequeno momento. Estou certa, muito certa, que você entra por um lado, e sai de outro jeito.

A sua receptividade, sensibilidade e elementos para reflexão vão conduzir a sua jornada em cada micro-experiência nessa vida.

Por isto, vejo que, cada obra de INSTALAÇÃO possui como meta, a INTERATIVIDADE . A ARTE PÚBLICA, para o público, torna a PARTICIPAÇÃO elemento essencial da obra proposta.

Eu crio o mundo. Faço votos que você também se veja capaz de criar outros mundos.

Quem concebeu: o espaço, o vazio, o eterno, o acaso, o ovo, o divino… Não estamos falando disso agora.

ARTE é comunicação, é semiótica, é convite a reflexão. E a reflexão, o que é? Convite ao conhecimento, a criação, ao desenvolvimento humano, ao aprimoramento da vida em comunidade.

Figura6

Can you do me a favour? Just love me. Don’t think about tomorrow, if you will get hurt, or either, if you can’t handle some kind of rejection. We all have to deal with several types of rejection, and, as much we care about, more it can get worst.
What stops you? Don’t think I am attractive? You want sex? So do I! But I would not have sex with someone I don’t respect as a person. I want to know more about you! The fact you want to have sex with me and do not care about who I am, kind of freaks me out!
Yet, I have to risk. I risk all the time! I have to trust, and not be afraid of betrayals. But, as time passes, I get less motivation to try out something that can be very disappointing.
And I ask you this: you must love at first sight, as I do. Otherwise the tiny possibility of our romance will blow up in a first doubt, sooner or later.
It is hard for me to understand, why I have so much to give and I am lonely, while you, who did not risk, and don’t give yourself, are not (alone).
He is not alone, she is not alone, they are fucking sick on their minds, they tried to kill me, not only once, but several times. They are not nice, at all. They are crap shit people full of money to by desperate souls that can do any kind of service for money.
In resume, they have no love in their hearts. If they had, at least, a little bit of love, they would live the story behind to new chances.
Once I loved a guy who could not forget, or forgive (himself). Well, there are many stories, I don’t think I want to go through to this now (again, and again, and again). I wish we could have a friendship, but for all the events, that wish did provoque my highest failure.
This is an idealistic -not just romantic- person: we really believe in all sort of changes, including people’s character.
There something you all must know: people do change. In violent Rio city we have seen so many criminals at shanty towns becoming a normal worker, father of family, and so on. We have seen so many girls disturbed with drugs and sex, doing normal jobs, and providing, themselves, their children. And, pay attention to this: here is not like England, where the state provide a nice place to the young mothers, and even some kind of salary to them to carry on… So, this people take their responsibility with no help or social assistence. And, let’s say, we all pay taxes for the social assistence, even to unemployed and other people in trouble (like me, right now, for instance). But we don’t get it. You bastards, still everything from us: youth, love, dreams, faith, and, in the worst cases, even the good health.
How long you pretend to carry on with this disgusting attitude? Just love man! We have the most beautiful thing in earth: nature! We have knowledge, we have our language to comunicate, make poetry, and all diferent types of art, that feed our dreams, perceptions and science!
Take your own responsibility by trying out other people’s shoes! What do you have to loose, if you have all that you need? At the moment, I don’t have all that I need, because I thought of your needs, and you didn’t think about mine. So, is out of balance.
And, you must know, your wrong attitude towards me, unfortunately did attract other same attitudes that is tricking in a position really uncomfortable, and was not what I wished for, I battled for, I cultivated, and worked for. But life around brutal animals are like that. If some coward succeed to take advantage of you, while you are alone, you will be a hero to escape, but you won’t escape without wounds.

Vândalas!

pussyriot

xerecasatanik

Das Pussy Riots a “xereca’s satanik” , as mulheres vêm vandalizando com a idéia de moral, desde que expõe seus corpos, e os manipulam.
Meninas “black block” podem ser também ciclistas nuas , todas vandalizando alguns “bens imateriais” relacionados a moral do controle dos corpos, especialmente o controle e dominação do feminino e sua natureza, assim como a natureza geral de tudo e todas as coisas.
Há LIRISMO na rebeldia. Há AMOR neste “sentido de destruição” que clama por mudanças!
;-)

A propósito… toda hora aparecem estas notícias:

http://www.theguardian.com/world/2014/jul/15/vagina-selfie-for-3d-printers-lands-japanese-artist-in-trouble

Blur

FIGURA 8
ouvindo e assistindo o show do Blur senti o ‘deja vu’ dos pés descalços na grama alta do Hampstead Heath. Os mergulhos nos seus lagos gélidos, provocando choques térmicos absurdos nos dias de verão com ‘rash’. Um mergulho de décadas coladas como uma sanfona tocando nas ruas de Nothing Hill até Portobello Market. A frase emblemática na escola de inglês:”if you are tired of London, you are tired of Life”. Fui corajosa de estar ali, “standing by myself”, mas parecia também aquela garota do vídeo-clip com o seu coração imenso diminuindo a cada dia nos concretos e batalhas de uma cidade fria. Pensar nos sonhos de amor perdidos, pra quê? Os relacionamentos não dependem somente de você. É sempre mais fácil prejudicar quem já está prejudicado, e julgar quem não têm defesas, escudos, proteções na ordem da estrutura.
Os marginalizados e desfavorecidos serão sempre os responsáveis pela sua “má sorte”, qualquer “passo em falso” será atestado disso ou daquilo. E, o que importa, se ninguém se importa?
A isto chamo de brutalidade. Entre vítima e algoz, escolha seu papel. Se quiser algo além disso, será o louco, o rebelde.
Quantas vezes fui chamada de “aventureira” de modo pejorativo? É estranho isso. Sempre associei aventura a algo muito fascinante e enriquecedor de experiências memoráveis. Por isto me lancei ao desconhecido, e sou grata pela força interior que me guia.
Bom, as histórias são muitas. Nesta imagem há memória de um moço holandês que me apareceu como um verdadeiro príncipe. O problema é que eu estava embriagada, e permaneci nesse estado por bastante tempo. Mas é certo que dele não posso reclamar nada. Comunicação aberta, sinceridade, disponibilidade existencial, respeito e consideração. Não vou tratar dos casos indignos, dos que merecem algum tipo de julgamento, dos que se acovardaram para esclarecer atitutes falsas, falsárias, desonestas, e prejudiciais a si e ao próximo.
Do meu amigo holandês, pudemos dissolver qualquer possibilidade de mágoa com a boa comunicação, e aceitar todas as diferenças, inclusive, as vezes a indisponibilidade emocional de conviver com elas.
Pessoas mais estáveis e com alguma formação conservadora, podem realizar alguns feitos com maior objetividade.
Nunca foi o meu caso. Meu “pacote” existencial, não é exatamente o dos mais suaves. Embora existam “vantagens”, entre perdas e ganhos, é fato que elas suplantam as desvantagens, no balanço geral.
Felizmente, não é o “balanço final”. Vamos ver se essa avaliação ficará ao meu encargo, ou se será póstuma.
Nestes últimos anos árduos, fiquei ouvindo as vozes das ruas, as vozes do mundo, as mensagens subliminares, as provocações. As paranóias afloraram, talvez por excessivo isolamento e solitude.
Algumas dessas vozes, mais do que mensagens, gritos, comandos, “do além”, como o do morador de rua, num dia de feira na Glória quando eu passava: “quero ser feliz nessa vida!!”.
E eu pensei: “eu também”, “boa lembrança”. A vida é agora, é o que todos queremos. Sempre o grande mistério: por que fazemos tanta fumaça? Não falo do vapor, dos aromas, do fogo que aquece. São os excessos…
xxxxx

Gritos da Performance

6metamorfose
O corpo manipulado pela moral é uma loucura! Loucura por loucura, sou mais a minha loucura!
As performances mais radicais colocam o corpo numa situação-limite. E eu me solidarizo com elas. Particularmente, reconheço que tenho um certo apego a idéias mais clássicas de beleza. Embora tenha capacidade reflexiva o suficiente para não considerar apenas um tipo de beleza, mas muitos e vários, existe uma idéia de harmonia que me seduz. Dores excessivas nos torna demasiado brutos, por este motivo sou fã do lirismo como capacidade intelectual de abstrair as situações mais dolorosas para a alma. Transmutá-las, transformá-las em algo que dignifique nossa existência.

Já provei a minha coragem me lançando ao mundo, e de muitas e diversas maneiras, de modo que me reservo ao direito em ter algumas reservas, assim como me sentir, por diversas vezes, frágil e exaurida para alguns desafios mais radicalizantes. Por isso mesmo, e também por isto, acredito na beleza da diversidade. Eu respeito quem quer se suspender pela pele com ganchos e ferros, assim como respeito quem costura a própria pele, seja do rosto, ou das genitálias, assim como quem realiza qualquer expressão mais visceral, que eu não faria, mas não me sinto no direito de julgar, repreender, rechaçar.

Resgatei este vídeo de anos atrás, por conta da “xereca satanik”. Lembrei deste exemplo, como uma forma mais leve de praticar a antropofagia da própria carne. Abaixo do link vêm o texto que escrevi na ocasião da polêmica sobre a tal performance na UFF, que depois descobri ter sido realizada por uma performer que conheço, com o apoio, dentre outros e vários, de uma amiga, professora das Belas Artes.  

Sobre a foto acima, faz parte das “Alegorias” que estou criando, em capítulos. Esta, especificamente, têm como referência planos de performance de pelo menos 10 anos atrás. O personagem passa da “sereia” a “mulher bomba”… mas estas são outras estórias… ;-)

Aumente o som, que é poesia minimalista. Uns acordes no violão, e o lamento de um violino que lembra pó, e o deserto.
Das brutalidades dos homens, já me afetei o suficiente para adoecer de mim. Mas posso dizer que fracassei na tarefa de ser tão ou mais bruta, e, sequer posso dizer que tentei, de fato. Esbocei inúmeros radicalismos, mas nada que colocasse toda fúria para fora. Um piercing pontudo no queixo, algumas tatuagens, um e outro tema mais “picante”, nada disso me representa tanto quanto usar a voz em sua toda sua potencialidade. 
Também defendo que a moral mais óbvia e repressora precisa ser questionada. Todo sistema baseado em propriedades, têm como base a sujeição da mulher, assim como a sujeição do homem pelo homem.
A mulher precisa ser a manipuladora do seu próprio corpo, a criadora do seu próprio senso estético, sobre a sua imagem. E, algumas mulheres, querem até dizer, que, se for pra serem violentadas, que seja entre elas, e de modo representativo, conceitual. Diferente da entrega do cú a pica, onde cada um quer contabilizar suas perdas e ganhos, recompensas e benefícios, a buceta quer que lhe abram passagem, para que se entenda seu real e verdadeiro manifesto.
Mais do que óbvio e piegas constatar, que não há felicidade ou amor para os brutos. Há apenas jogos, para uns, e, batalhas, para outros. E, se a batalha estiver como um “aplicativo” do jogo, os vencedores já estão pré-determinados.

Numa balança entre sucessos e insucessos, o peso desse último é quase fatal. Os sucessos são uma pluma, gotas de esperança. Mas eles não são promessas irrealizadas. São feitos verdadeiros, que, na maior parte das vezes, não encontram seus fluxos em lugar algum. A “brincadeira” dos contos de fadas, é mirar-se no espelho das suas filosofias. Mas, se for levá-los muito a sério, precavenha-se com muita água com limão, pois tristezas e amarguras precisam ser saboreadas como um remédio que só vai lhe trazer benefícios. Contar as desventuras humanas com bravura, força, determinação e heroísmo, é tarefa das óperas.
Esta moça italiana (rionices) mostra como funciona uma forma de lirismo, em dialogo com o pensamento antropofágico.
Dedico este post a Senhorita Vitral, sugerindo-lhe a seguinte campanha: “Antropofagie-se de sua própria carne: Seja Canibal, seja- seu próprio- Anti Herói”

 

Imagem

Pra costurar essa história, não tá nada mole…rs. O que posso dizer é que venho descobrindo que a ‘sina’ da sereia é bem mais complicada que a da cindy (conhecida como cinderella). Por que as coisas não se resolvem com um princípe apaixonado (que, aliás, ficou perdido, sei lá onde, num livro fechado, empoeirado, que ninguém mais lê… comido pelas traças, encharcado de bolor, enfim, pérolas aos ratos!).

O princípe da sereia, a ama e a odeia. Quer cuidá-la, mas, ao mesmo tempo, teme sua relação mágica com os elementais da água. Por isso, acaba se encantando com uma outra (ou outras), que lhe parece mais dependente e frágil. Daí, a sereia já deixou de ser sereia para virar mulher, e, como mulher, é uma chifruda! Chamam-lhe uma espécie de mulher sem alma, mas, em verdade é muito generosa. Chega a cogitar o triângulo amoroso, cuidando também da outra. Ou seriam outras? Não importa. A sereia também não é uma. São várias. 

Aliás, jamais imaginei que poderia ocorrer uma avalanche de sereias em todas as mídias, como têm ocorrido nos últimos anos. O negócio é que havia um encanto. A sereia primeira e única, uma vez mal-tratada, desapareceria, voltaria para suas águas. Saía a Mulher Chifruda, e retornava uma elemental da água, aos prantos – infindáveis -.

Ficar aos prantos também não é muito legal. Todo mundo imagina que sereia é que é feliz, vive numa boa, e nem precisa respirar. Mas não é bem assim!

Enquanto a Mulher Chifruda aproveitava o caos para ter os seus momentos cômicos

Imagem

a sereia sofre no ostracismo. Na maior parte das vezes, se aparece um boto querendo lhe alegrar, ela quase nem vê. Quando ela acorda da dor, nunca, ou quase nunca, têm botos em volta! Ela se decepciona! Pergunta aos deuses, por que tamanho desencontro de sentidos.

A Mulher Chifruda se recupera, se equilibra nos chifres, e canta uma ária barroca à francesa: não é necessária a grande voz!

Imagem

O princípe volta de viagem, é gay, mas têm um harém, todas vivem bem, e a sereia volta a viver imersa em suas águas.

Imageme

PS.: As imagens da “mulher chifruda” fazem parte do espetáculo musical encenado num cabaré da Lapa, Rio de Janeiro, em 2005, chamado “O Bordéu da Humanidade”, e, a moça em questão, esperava o marido, um príncipe (ou conde), chegar a cavalo depois daquelas ‘fugidas de guerra’, no período da Idade Média. As fotos do Paulo Inocêncio. A foto subaquática é de 2013, do Sascha Colmsee.

Fertilidade no Karnak

Image


Por que penso demais

teu silêncio me

conforta.

Por que estamos aqui,

entre muros e portas,

o espaço da minha mente

olha pro universo.

Sou o que penso,

você é o que sente.

E você sente que sentir faz mal.

Desejar não convém

ou convém, desenfreadamente.

Matéria da mente,

no que querem te adequar?

Ser forte é se atirar

sem desprezar o conteúdo.

Um coração fala alto,

e o que acontece com dois corações?

Não saberia explicar

matéria de tão pouca ciência.

Têm sempre alguém te observando.

Não sou comida.

Somos alimentos dos sentidos.

Valerá rir desse ritual.

O medo é todo mal.

Vida em contentamento comigo

até que falemos a mesma língua,

da força,

do acaso.

Não sei contar os números com precisão.

O professor de matemática me estressou sugerindo pressa.

Minha energia criativa ignora os limites.

Entre razão e emoção não há limites,

nem solução para esta equação.

Não falo mais da vida,

ela vêm de bom tamanho.

Quem foi que disse que era pra ser fácil?

Você faz o que faria,

antes que vire uma múmia no gesso.

Mas, se idéias antagônicas te bloqueiam,

mergulhe para descobrir o sentido do fluxo.

Ele vai.

Eu sempre tive amor,

e não houve quem mereça.

Me perdi, confundiram-se os valores,

me desmereci.

É assim,

na fertilidade pagã.

Ninguém decide, ou dirige o próprio destino.

Coisas em volta acontecem, e, mesmo que nunca estamos verdadeiramente sós,

existe a solitude sacerdócio-sacerdotisa.

O amor é mais.

(da série dos escritos do caderno “Sereia Eletro”, de 2008, com updates NOW)

Imagem e texto – Elen Nas

Mãe Água

Image

O ser, em estado líquido, somos esta forma, em movimento, de corpo, aparentemente sólido.

Antes de conhecer a geografia da Terra, mesmo um sábio, douto, filósofo, diria que o oceano é um rio imenso.

Outro dia, estava eu, numa queda d’água, e lá chegou um cão enorme, São Bernardo. Quando ele se aproximou da queda, eu estava dentro dela, e comecei a jogar montes de água na direção do cão. Ele pulava no ar para agarrar a água com os dentes! Achei isso muito engraçado, e, enquanto ria, ia jogando os montes de água, que davam impressão de corpo denso, sólido, e se desfaziam assim que o São Bernardo os “agarrava” com os dentes… Uma forma diferente de beber água…mordendo…

Me perguntei se no olhar dos bichos, o corpo visualmente sólido, era dotado de solidez… =)

Sem dúvida, um hidratante do paladar…

Também meu gatinho, quando bem filhote, parava diversas vezes em frente a bica jorrando água, e desfiava golpes “certeiros” com sua patinha, como se fora um “karatê kid” exercitando o treino diário de quebrar uma tora de madeira ou bloco de concreto com o foco de um movimento suave…

Ele vê a água como uma corrente sólida, que passa e se desfaz, contínuamente. Parece se surpreender toda vez que sua pata atravessa aquela corrente!

Nossa mãe água, útero e placentas das diversas e primeiras divinas formas de existência, recebeu muitos nomes, e esta associada a mitos, seres elementais e arquétipos importantes na construção da cultura/compreensão do humano… Femininos e masculinos, todos líquidos.

Esta criatura densa e primeira chamada oceano, é considerada fruto da primogênita união entre o céu e a terra.

(Aquarela e texto, Elen Nas)

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 2.566 outros seguidores